Fixe, bué, gajo
O português que se fala do lado de lá do Atlântico, que um brasileiro percebe quase tudo e estranha o resto.
Alfacinhas e tripeiros
Lisboa, Porto, Coimbra, Alentejo, Minho, Açores. Cada canto de Portugal com a sua palavra e a sua alcunha.
Uai, sô, o mineirês
Trem, uai, sô e cadinho. O jeito mineiro de falar, que enche a boca de carinho e de café coado.
Carioca da gema
Caraca, mó, sussa, parada. O carioquês de rua, da Zona Sul à Baixada, com o mar e o buzão ao fundo.
Bah tchê, o gauchês
Do chimarrão ao cacetinho, o Rio Grande do Sul fala com tri orgulho e não pede desculpa a ninguém.
Oxente, arretado
Do sertão à praia, o Nordeste fala massa, chama todo mundo de meu rei e não tem medo de interjeição.
Égua, o Norte e o Centro-Oeste
Da Amazônia ao Cerrado, o português que se fala à beira dos rios e no meio do mato.
Gírias do Brasil inteiro
Bora, sextou, da hora, perrengue. As gírias que se entendem de Manaus a Porto Alegre e que nenhum livro ensina.
Lacrar, flopar, cringe
O português que nasceu no feed e saltou para a mesa do jantar, com data de validade curta e muito alcance.
Sobreviver à vida de estudante
Marrar, levar bomba, virar a noite. O que se diz na aula, na biblioteca às três da manhã e na saída da prova.
Quando o dinheiro é curto
Teso, liso, na pindaíba. Estar sem dinheiro tem mil nomes e todos soam melhor do que o extrato da conta.
Comida e boteco
Bater um rango, ser um bom garfo, ficar com água na boca. Comer, beber e ficar horas na mesa, que é o que se vem fazer de verdade.
Trabalho e folga
Do trampo de segunda ao alívio de sexta, com tudo o que se diz no meio: suar a camisa, fazer cera e encostar o carro.
Paquera, xaveco e dor de cotovelo
Do crush ao fora, tudo o que o coração diz quando a boca não sabe como.
Pavio curto
Perder a cabeça, rodar a baiana, soltar os cachorros. A raiva em português, do resmungo ao barraco.
Perrengue, zica e maus lençóis
Quando tudo dá errado de uma vez e ainda assim se arranja um jeito de rir, ou pelo menos de contar.
Ditados de avó
Água mole em pedra dura, cão que ladra não morde. Os provérbios que toda a gente ouviu em casa e ainda repete sem querer.
Bicharada
Vaca que tosse, cão que ladra, pinto no lixo. Todos os bichos que o português domesticou para as suas expressões.
O corpo que fala
Queixo caído, língua solta, cara de pau, mão furada. Da cabeça aos pés, o corpo inteiro virou expressão.
De boa, na sua, de bobeira
Ficar de boa, dar tempo ao tempo, não ligar a mínima. O português da tranquilidade, da preguiça e da cabeça nas nuvens.
Papo furado, migué e conto do vigário
Enrolar, enganar, fingir que não viu e ser apanhado. E também o contrário: abrir o jogo e jogar limpo.
Arretado, da hora, show de bola
Todas as formas de dizer que algo ou alguém é muito bom, de Portugal ao Rio Grande, do bar à internet.
Zé ruela, mané, paspalho
A arte de xingar com carinho, do tonto ao metido, do chato de galocha ao puxa-saco.
Farra, fervo e rolê
Sair, dançar, beber um pouco a mais e rir até chorar. A festa em português, do carnaval de rua à mesa do bar.
Eita, oxente, uai
O Brasil e Portugal em interjeições: o que se solta antes de pensar, de Norte a Sul, e diz de onde a pessoa é.