O poder da imaginação (e como despertá-la)

A gente passou uma tarde vendo vídeos de cabanas na floresta. Uma tinha banheira na janela. Outra, uma escada que parecia esculpida por um elfo com um financiamento bem pesado. Quando levantamos os olhos, continuávamos sentados em casa e o café já tinha esfriado.

Aí alguém desenhou uma porta no cantinho da lista do mercado. Botou um telhado de cogumelo e uma placa: “Visitas são bem-vindas. Tragam bolo”. A casa não servia pra morar. Mas a tarde ficou bem mais divertida.

A gente gosta desse momento em que uma ideia puxa outra. A imaginação pode aparecer numa história, numa solução improvisada ou numa piada horrorosa que os amigos não param de repetir. Não precisa virar uma obra-prima. Às vezes, dar risada junto já está ótimo.

Curtir o que os outros criam tira nossa imaginação?

Não necessariamente. Um filme, um desenho ou uma música podem dar ideias, emocionar ou fazer companhia. Gostar de algo que outra pessoa fez não significa que ela esteja imaginando no seu lugar nem que você esteja perdendo essa capacidade.

Uma caneca com uma alça esquisita, uma música que leva você de volta a um verão ou um vídeo sobre consertar uma cadeira podem render ideias. Também dá pra curtir e pronto. Nem tudo o que você vê precisa virar um projeto seu depois.

A gente às vezes pega o celular pra procurar uma coisa e acaba rolando a tela sem saber o que está esperando. Em outros momentos, usa o mesmo aparelho pra escrever, desenhar ou inventar uma bobagem com os amigos. O celular não decide sozinho o que estamos fazendo da tarde.

Quando já faz um tempo que estamos olhando e nem estamos gostando mais, dá pra deixar o celular de lado. Talvez dê vontade de inventar alguma coisa. Talvez seja melhor não fazer nada e ficar de boa. Descanso não precisa entregar resultado criativo. Pô, daqui a pouco até o sofá vai cobrar relatório.

E se eu não souber por onde começar a criar?

Você pode mudar um detalhe de alguma coisa do dia a dia. Inventar quem mora atrás de uma porta, dar nome a uma planta ou escrever duas frases que façam você rir. É um convite pra experimentar, não uma prova de talento. Se hoje não estiver a fim, deixa pra outra hora.

A gente arranjou um vizinho pra cabana de papel. Era um duende que reclamava das visitas, mas sempre fazia bolo pra seis. Logo ele precisou de um nome, uma desculpa pra ficar na porta e um passado meio suspeito. Uma porta torta tinha aberto uma história.

Imaginar também não precisa ser assistir a um filme nítido dentro da cabeça. Dá pra brincar com palavras, sons ou possibilidades. Escolha algo que funcione pra você e não compare sua primeira tentativa com o trabalho de quem pratica há vinte anos.

Os Magikitos vêm dessa vontade de inventar

Os Magikitos fazem parte de um mundo que continuamos inventando entre histórias, figuras e ideias que aparecem. A gente gosta de dar a eles uma expressão, um nome e um problema minúsculo. Às vezes um nariz sai torto e o personagem parece saber uma coisa que ainda não descobrimos.

As figuras não estão à venda. São modeladas pelo prazer de criar, como contamos no artigo sobre as figuras da floresta. Isso não significa que fazê-las não custe nada. É preciso material, tempo e trabalho. E cobrar por uma obra não diminui o cuidado nem o carinho colocado nela.

É assim que queremos compartilhar esse mundo aqui. Nossa filosofia tem muito de brincar junto e abrir espaço pra uma ideia, mesmo que ela chegue meio descabelada.

A cabana continua na lista do mercado, logo abaixo de “café”. A gente não construiu uma casa na floresta, mas já sabe quem mora lá e o que levar quando vier o convite. Pra aquela tarde, foi um bom começo.

Um segundo: confirme que você é uma pessoa