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Este duende saiu da oficina numa tarde de chuva, quando o bosque cheirava a terra molhada e tomilho. Leva um brilho mágico preso na mão esquerda, como se segurasse um segredo em pausa, prestes a se acender. Suas cores marrons e verdes lembram casca úmida e musgo velho, desses que abraçam as pedras e não largam mais. O gorro de lã tricotado cai um pouco sobre os olhos, mas ele garante que assim pensa melhor.
Quando ninguém está olhando, fica quietinho num canto observando sombras, vendo como elas se movem sem pedir licença. Diz que as pessoas andam com pressa demais e que alguém precisa se encarregar de puxar o freio. Às vezes acende seu brilho por só um segundo, o suficiente para você lembrar de ligar para a sua mãe ou mandar aquela mensagem pendente.
- Apaga discussões absurdas desviando a atenção com um lampejo mínimo
- Conta as bolhinhas da água com gás porque fica fascinado com o jeito que elas giram
- Fica bravo se vê lixo jogado, mas vai em silêncio e recolhe
- Suspira fundo quando alguém vira a página sem reler sua frase favorita
Não se exibe, não faz discursos motivacionais esquisitos, só está ali, firme, como um pequeno carvalho de porcelana fria. Gosta que as noites cheirem a café recém-passado e pão na chapa, e que o fim do dia chegue sem dramas, com planos cancelados e cobertores pesados esperando no sofá.