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Nasceu numa noite molhada e agora acende amizades baixinho, como quem conta um segredo ao vidro.
Faz parte da coleção Luminárias de Pote de Vidro
Esta luminariazinha começou como um pote de vidro esquecido numa antiga casa de pedra, dessas que rangem como se guardassem sonecas de cem anos. Naquela noite chovia com vontade e as fadinhas da amizade entraram procurando abrigo, encharcadinhas e rindo, porque correr debaixo de duas gotas sempre nos pareceu uma comédia humana bem fraquinha. Entre poeira, sombra e cheiro de terra molhada, apareceu o pote, quietinho, esperando sua segunda volta ao mundo.
Nós o levamos para Taramundi e tiramos o cansaço dele sem apagar o passado. O vidro conservou essa transparência com memória, dessa que não brilha para se exibir e sim por ter visto muitas coisas. Vestimos a tampa com um graveto e liquens colhidos no bosque, pequenos selvagens elegantes, e dentro deixamos duas fadinhas amigas recortadas em silêncio luminoso.
- vidro resgatado com alma de sótão
- graveto e liquens com bosque ainda grudado
- duas silhuetas que parecem conversar sem fazer barulho
Agora, quando a noite chega, ele não ilumina no tranco. Faz algo melhor. Solta uma calma morna, de xícara lascada e cobertor bem ajeitado, e transforma qualquer canto num esconderijo bonito para descansar o coração um pouco.