Na oficina entre samambaias, demos forma a ele com porcelana fria e um punhado de suspiros. Ele veste uma camiseta reciclada, suave como o primeiro abraço do dia, e tem esses pezinhos enormes que são seu orgulho: não pisam, acariciam a terra. Quando ele se senta para meditar, a floresta inteira abaixa o volume.

Ele não busca iluminação nem quer flutuar. O lance dele é escutar a raiz de um carvalho se espreguiçando, ou sentir a dança lenta das minhocas no subsolo. Diz que a paz não é ausência de barulho, e sim saber qual barulho merece a sua orelha.

  • Transforma pressa em paciência só de olhar para ela.
  • Sabe o idioma secreto do musgo nas pedras.
  • Seus dedos têm cheiro de terra molhada depois de um toró.
  • Coleciona silêncios e guarda todos em potinhos para dar de presente.

Ele não precisa de incenso nem de mantras. Basta apoiar os pés e lembrar a gente de que somos um pedaço de planeta com consciência. Se você sentar ao lado dele, ele empresta um pedacinho da calma dele sem pedir nada em troca.

Um segundo: confirme que você é uma pessoa